Todos afirmam que temos memória curta, ou não sabemos valorizar o nosso passado. Portanto, essa é uma leitura necessária, porque o aluno precisa saber de onde viemos e para onde somos chamados.

EEB online não é estudo teológico, não é estudo doutrinário, não defende nenhuma corrente doutrinária.As nossas raízes são expostas para o aluno ficar sabendo como tudo nasceu.

A História da EEB
Por Ron Smith

 

Seção 1
História Pessoal

Em 1977, ouvindo o ensino do Dr. Earl Morey sobre o livro de Apocalipse, em uma conferência carismática em Pittsburgh, Loren Cunningham pediu para que ele começasse a Escola de Estudos Bíblicos (EEB) em Jovens Com Uma Missão (JOCUM). Dr. Earl recebeu seu Ph.D da Universidade de Princeton e pastoreava uma Igreja Presbiteriana em Richmond, Virgínia. No entanto, Earl respondeu a Loren que ele não sentiu que deveria deixar a sua igreja em Richmond.

Eu (Ron Smith) conheci Earl durante o seminário Gordon-Conwell em Massachusetts, no começo de 1975, e Judy era uma amiga da família. No outono de 1980, Judy e eu participamos de uma Escola de Treinamento e Discipulado (ETED) na Jocum de Kona, Havaí. Durante esse tempo, Earl chamou Loren e mencionou que ele achava que eu deveria começar a Escola de Estudos Bíblicos para a Jocum. Em fevereiro de 1981, Loren me chamou durante o prático da minha ETED e me convidou a começar a EEB em Kona naquele Setembro próximo.

No dia em que Loren me chamou, eu estava jejuando e buscando a Deus por uma semana, e foi à partir desse chamado que a Escola de Estudos Bíblicos nasceu. Em Setembro de 1981, nós começamos a EEB em Kona, Havaí, com oito alunos se reunindo em uma pequena casa no morro McDonald.

Desde então. EEB internacional já conduziu cerca de 500 escolas nos últimos 25 anos e treinou entre 7000 e 10000 alunos.

Através dos anos, Earl continuou o seu relacionamento com a EEB da Jocum, ensinando em várias escolas e liderando uma escola em Washington no final da década de 80.

Para que você possa entender melhor a nossa história, deixe-me começar destacando a história do Estudo Indutivo da Bíblia no corpo de Cristo.

Seção 2
História do Método Indutivo

O professor de Yale, Dr. William Rainey Harper fez uma pesquisa com 1000 pastores no final dos anos 80. Esses ministros afirmaram que sua maior fraqueza no treinamento no seminário era estudar a Bíblia em inglês. O assistente chefe de Harper, Dr. Wilbert White desenvolveu um método conhecido como “Método do Seminário Bíblico”, em Nova Iorque. Do Seminário Bíblico, veio a atual forma do Estudo Indutivo da Bíblia em todo o mundo. Sete correntes básicas fluíram desse começo.

As correntes do método de Wilbert White incluem:
1. Irving Jensen, Kay Arthur [Ministérios Preceito];
2. Howard Hendricks [Seminário de Dallas], Multnomah, Bruce Wilkinson etc;
3. Howard Kuist [Princeton], o Seminário Fuller, Earl Morey EEB;
4. Robert Traina [Asbury], Ron Smith [Tese Th.D. sobre o trabalho de Traina];
5. Universidade William Carey, Barbara Boyd FIV;
6. Stanley Shenk [Colégio Goshen];
7. Biola, Talbot, Cruzada Estudantil.

Baseado nas várias correntes que surgiram de Wilbert White, a EEB fluiu originalmente através de Howard Kuist (Corrente 3), e Earl Morey, como aluno de Kuist, em Princeton; além de Robert Traina (Corrente 4), que também foi um aluno de Kuist, com Ron Smith escrevendo sua tese de Ph.D sobre o trabalho de Traina. (O livro “Bases do Estudo Bíblico” é um resumo rápido da tese de Ron).

Portanto, o que estamos fazendo na EEB não é original, mas encontra-se bem no meio de um grande movimento iniciado no final do século 19. O que temos de original na EEB é o estudo da Bíblia inteira, cada livro, usando o Método Indutivo.

Seção 3
A Multiplicação da Escola de Estudos Bíblicos

Várias diferentes nações estavam representadas entre aqueles primeiros oito alunos em Setembro de 1981. Sete alunos terminaram o primeiro ano e o local da escola mudou de Kona para o norte, em Makapala. No segundo ano nós tivemos nove alunos e no terceiro, treze. Durante todo esse tempo nós não tivemos nenhuma escola fora de Jocum Havaí.

Em 1984 nós tivemos uma grande classe de vinte e cinco alunos incluindo líderes regionais, nacionais e internacionais de Jocum. Pouco depois desse tempo, a escola começou a se multiplicar. As primeiras três escolas foram na África do Sul, Coréia e Inglaterra, nessa ordem. No final de 1987 nós tínhamos várias escolas localizadas praticamente em todos os continentes.

Durante esse crescimento inicial, nós recebemos encorajamento de Loren Cunningham para crescermos e multiplicarmos em todas as direções; para colocar nossos olhos em mil localidades. Por um período de dois anos eu assumi isso como a visão para EEB. No final de 1989 eu enviei um fax para o Loren a respeito de dois itens:

Nós estaríamos notificando todos os líderes de base que a EEB em suas bases seriam primariamente responsabilidade da liderança de suas bases, explicando que isso iria manter um senso de simplicidade e unidade nessas localidades. Isso acabou sendo um passo sábio. Nós dissemos a Loren que seríamos encorajadores externos para os líderes locais das escolas.

A segunda coisa que eu senti foi que um bom alvo para nós seria sessenta e cinco escolas e eu ainda sinto que esse é um bom número.

Durante os anos, as pessoas têm me perguntado a seguinte pergunta: “Qual é a visão da EEB?”. Eu respondo sempre que nós temos dois maiores objetivos dos quais nós não nos afastamos:

1º) Eu quero que as pessoas conheçam o conteúdo da Bíblia em suas línguas;
2º) À partir disso, prover um fundamento bíblico para suas vidas e ministérios.

Nós somos verdadeiramente gratos a Deus pelo que Ele já tem feito até hoje na EEB. É maravilhoso saber que a palavra de Deus é acessível para todos. Da mesma forma, a amizade que nós temos experimentado entre a equipe e a liderança durante os anos tem sido gratificante. Pastores, professores e todo tipo de santos em várias caminhadas e chamados de vida têm vindo através desse ministério.

Nós sentimos que Deus quer continuar a influencia de EEB. Nós desejamos manter o curso simples. Não é o nosso objetivo impressionar pessoas com a nossa escolaridade. Nosso desejo sempre foi o de alimentar as ovelhas.

Leitura, Estudo e Meditação Bíblica.
Por Ron Smith Ph.D.

O reformista Martinho Lutero escreveu que o verdadeiro objetivo de todo estudo bíblico é a meditação. O objetivo da meditação é a aplicação em uma vida. Com certeza, nem a meditação nem o estudo ocorrem sem uma leitura primária do texto.

Leitura Bíblica

Menos de 10% da igreja mundial já leu a Bíblia inteira. Essa é uma triste afirmação, dado o alto preço de derramamento de sangue e vidas perdidas que nos deram acesso a esse livro. De qualquer forma, fatos são fatos, e nós encontramos a igreja em um grande estado de ignorância.

O valor da leitura bíblica é adquirir uma ampla perspectiva global de toda a revelação de Deus. Normalmente, quando cristãos são questionados sobre sua relação com a Palavra de Deus, sua resposta se resumirá ao que eles estão lendo. Esta ampla perspectiva global pode ser obtida também escutando a Palavra em áudio ou assistindo a vídeos da Bíblia. O importante é ingerir a Palavra inteira. A Bíblia inteira pode ser lida em voz alta em menos de 100 horas.

O maravilhoso valor da leitura é a sua utilidade e acessibilidade. Nós podemos acessar a Palavra de Deus a qualquer momento, de dia ou de noite em 90% do mundo hoje. O problema é que nós não fazemos isso. Isso está longe da história de quando, nos primeiros dias da reforma escocesa, seus cidadãos poupavam o valor de um mês inteiro de salário para comprar apenas uma página da recém traduzida Bíblia em Inglês. Martinho Lutero assumiu como seu objetivo ler a Bíblia inteira 5 vezes ao ano, além de sua pesada preparação para suas aulas e traduções.

Estudo da Bíblia

O estudo da Bíblia envolve uma das mais profundas análises da Bíblia. Durante a EEB, nós iremos estudar cada livro sem perder de vista a ideia central da Bíblia. Dessa forma, o estudo da Palavra é mais vagaroso e mais enfadonho do que a  simples leitura. Isso também faz com que o estudo seja frustrante, às vezes.

 Na tradição judaica, os fiéis eram ensinados que nunca deveriam dizer que estavam “lendo a Torá”. A frase correta era sempre “estudando a Torá”. A razão para isso é que os rabinos sempre sentiram que a atitude correta para se dirigir às Escrituras sempre era uma reflexão cuidadosa e não apenas ler a Bíblia como uma literatura para ser lida como Shakespeare. Essa tradição judaica difere significantemente da tradição cristã onde os grandes mestres da Igreja sempre encorajaram tanto a leitura geral quanto o estudo aprofundado. De novo, isso enfatiza o quão distante do resto da história da Igreja estamos no Século 21, quando consideramos que menos de 10% da igreja já leu a Bíblia toda.

A EEB usa o método de estudo indutivo da Bíblia que é a junção de diferentes estilos de estudo, empregando ambos os lados do cérebro e encorajando vários estilos de aprendizado.

Meditação

A meditação é uma prática totalmente judaica/cristã enraizada em nossa tradição por todos os 3.500 anos da nossa história. Infelizmente, ainda menos cristãos que meditam na Palavra de Deus do que os que a estudam. Um professor estimou que menos de 1 em cada 10.000 cristãos deliberadamente meditavam na Palavra de Deus como parte de sua disciplina espiritual diária. Novamente, isso está longe da tradição dos reformadores, e todos os grandes pais da Igreja primitiva.

Viver uma vida sem meditação é uma prática do século 21, na verdade, quando os cristãos do século 21 ouvem falar em meditação, eles normalmente pensam em praticantes da Nova Era fazendo coisas estranhas.

Uma grande forma de se renovar espiritualmente é praticar 15 minutos diários de meditação bíblica. As pessoas fracassam em seus ministérios porque estão espiritualmente esgotadas. A meditação é uma grande forma de evitar esse esgotamento.

(material extraído apostila de EEB Montana – EUA, traduzido por André F. Albuquerque Macedo)